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Julio Louzada - Artes Plásticas Brasil
Em vão...


Em 8 de dezembro de 1930, Lúcio Costa é nomeado diretor da Escola Nacional de Belas-Artes/RJ. O arquiteto esclareceu a O Jornal/RJ de 12/12/1930, que o que o levou a aceitar o convite para ser diretor foi “evitar que os nossos escultores e pintores continuassem imobilizados no seu modo de pensar e de ver [em contraposição à rígida postura acadêmica da Escola]. Evitar que os futuros arquitetos que estudam na Escola sofressem as conseqüências da má orientação que tive, fazer desses rapazes verdadeiros arquitetos”. Numa entrevista a Gerson Pinheiro de O Globo, Lúcio Costa arrasa com o Salão Nacional de Belas-Artes e com a orientação do ensino de Pintura na Escola, que ignorava tudo depois de Cézanne, acrescentando: “Fazemos cenografia estilo arqueologia... casas espanholas de terceira mão, miniaturas de castelos medievais, falsos coloniais, tudo, menos arquitetura”. Impedido de demitir os professores acadêmicos, Costa contrata arquitetos de vanguarda, como Alexander Buddeus, Gregori Warchavchic, Celso Antônio, Léo Putz, Felipe dos Santos Reis, Mello e Souza e Edson Passos, cujos cursos paralelos e livres – frtequentado por Oscar Niemeyer, Robverto Burle Marx, Alcides da Rocha Miranda, Carlos Leão e outros - vinham suprindo a ausência de qualquer modernidade na Escola. Mário de Andrade ajuda, opinando: “Mas quando esses caducos esperneiam contra o atual e o novo, em nome de uma tradição que jamais adiantou a ninguém conseguiu definir, em nome duma pátria colonial de imitação, nós todos, eles como nós e os ministros, sabemos que o que os caducos defendem é a vaidade deles e o dinheiro que a concorrência lhes fará perder”. Mas os velhos mestres reagem com firmeza, insuflam os alunos à greve, forçando a demissão de Lúcio Costa, que lamentaria no catálogo do Salão de 1931: “O esforço foi em vão. Foi o canto do cisne, a pretendida reforma do ensino. Minha intervenção foi praticamente negativa, porque eu desarrumei uma coisa que já existia, uma coisa organizada, e foi rompida, não deixando nada em troca. Todo esse meu sofrido e malogrado esforço visando a reintegração das artes, tanto na Escola como no Salão, teve, afinal, seu aboutissement cinco anos depois, na elaboração do projeto e efetiva construção do edifício-sede do Ministério da Educação e Saúde” (atual Palácio Gustavo Capanema), no Rio de Janeiro.

Bibliografia
Cronologia das Artes Plásticas no Rio de Janeiro: da Missão Artística Francesa à Geração 90: 1816-1994, de Frederico Morais, Topbooks, Rio, 1995.

 
   
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