Dotado de forte senso de humor, o pintor carioca Estevão Silva foi, em pleno século XIX, provavelmente, o precursor da performancenas Artes Plásticas. Estrela maior em fidelíssimas naturezas-mortas com frutas, por suas telas desfilavam “[...] figos, belos figos, ovóides, apetitosos, de uma cor escura, descendo para a cor do vinho tinto Açor. [...] cacho de cocos de tucuns, parecidos na forma e no colorido com as uvas pretas do Douro, magníficos pelo sabor. Róseos jambos, aveludados pêssegos, corados de carmim, macios, araçás, pitangas de gomos escarlates, e um mamão aberto ao meio em talhada, fruto insosso ao paladar delicado, porém querido dos pequenos pássaros cantores”, como bem registrou o crítico Gonzaga Duque. A fim de agitar uma de suas exposições de naturezas-mortas, Estevão colocou frutas verdadeiras correspondentes às representadas nos quadros (goiabas, cajus, melancias, jacas e outras) escondidas atrás de cada tela, dando aos visitantes a sensação de que estavam materializadas, tanto que “até podiam sentir o cheiro forte de cada uma”. Atitudes de vanguarda como esta, de inegável criatividade para a época, lhe renderam grande popularidade em seu tempo.