Login
E-mail:
Senha:
SERVIÇOS
Artistas
Críticos & Curadores
Como se Catalogar
Declaração de Vendas
Espaços
Exposições On-Line
Nova Orientação do Site
Contato
 
CULTURAL
Broncas
Indiscrições
Julio Louzada - Artes Plásticas Brasil
Tremendo Embrouillement


"Em 1863, Manet foi obrigado a ser expositor do Salon des refusés, porque o júri do Grande Salon tinha-lhe fechado as portas. Seu Dejeuner sur l'herbe, que obrigou o júri a tomar esta iniciativa, fez um escândalo perante a consciência dos homens sérios, velhos adeptos das escolas consentidas no Salon e o público, guiado pela pretendida autoridade desses manipansos irrisórios, começou por se fazer de gamin em atirando as pedras da sátira às costas de Édouard Manet. O caso deu em acontecimento. Velhos críticos, coçados nas mangas da sua importância, ergueram contra o artista o unicorne do desaforo; meninas educadas nos tapetes dos salões fidalgos e admiradoras de Ingres, enrubesceram hiperbolicamente, como se tivessem em frente um volume do Cavaleiro de Faublas; condessas grisalhas, convictas leitoras do Sr. de Terrail e submissas contempladoras das telas onde há ninfas nuas e sátiros monstros, reclamaram, expectorando o seu catarro crônico, contra tal escândalo. Já estavam cheias de revoluções e cheias de imoralidades. Em suma, cada qual achou-se ofendido e cada qual tratou de desabafar as suas opiniões, opiniões para, como uma polvilhação de cal, sufocar o revolucionário, o imoral, o incompreensível Sr. Manet. Emílio Zola, no Événement, tomou a defesa do artista e com os fortes golpes da sua pena foi atirando por terra todo o garoto disfarçado que encontrava, na gritaria incômoda das condenações inconscientes. Mas o público, o grande público ventoinha, que não conhecia arte e que depositava confiança nos mestres do Salon, arvorou-se contra Zola, fez mocanquices de orango provocado. Muita manha e muita ignorância transpareceram em todos os seus saltos de clown de circo de aldeia; e, para fugir deste embrouillement ridículo, o autor do Ventre de Paris viu-se obrigado a escrever o seu Adieux d'un critique d'art, onde lança às faces dos críticos oficiais do Salon o epíteto de sergents de ville. Apesar do charivari. Manet, com a sua elegância, com a sua escola, vai se impondo, e assim será sempre com aqueles que, como ele, tiverem na sua pintura a nota do individualismo e a nota da vida […]" (Gonzaga Duque, crítico de arte, em texto datado de 28/10/1882, publicado no jornal O Globo de 04/11/1882).

 
   
Copyright © Maria Alice & Julio Louzada - Todos os direitos reservados